Fernando Bezerra
Coelho, que enfrenta crise por uso político de recursos da pasta,
aposta no programa Mais Irrigação, do PAC, para ganhar a prefeitura
do município e se projetar no Estado
PETROLINA - Desgastado no Palácio do Planalto por ter privilegiado
Pernambuco na distribuição de verbas federais, o ministro Fernando
Bezerra Coelho (Integração Nacional) consolidou-se nos últimos dias como
uma espécie de embaixador de Petrolina no governo federal. No município
do sertão pernambucano, onde Bezerra pretende fazer o filho prefeito
pela primeira vez, há poucos sinais da crise na qual o ministro
mergulhou. No seu curral eleitoral, a abundância de verbas para o Estado
- vista como uso político indevido pelo resto do País - rendeu pontos
entre aliados e eleitores.
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Ministro Bezerra Coelho
nega uso político
e eleitoral de recursos
da pasta
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Só nos últimos quatro meses, o ministro esteve cinco vezes em
Petrolina, de acordo com sua agenda oficial. Na última visita, em 20 de
dezembro de 2011, Bezerra assinou 16 ordens de serviço para a
modernização de áreas irrigadas no município, no valor de R$ 35,7
milhões. O reduto de Bezerra, dependente de verbas federais sobretudo
por conta das secas, foi “escolhido”, segundo texto do ministério, como o
primeiro beneficiário do programa Mais Irrigação, que compõe a segunda
etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2).
No evento em que foram anunciadas as obras, Bezerra foi o
protagonista, acompanhado do vice-governador de Pernambuco, João Lyra
Neto (PSD). A cerimônia contou até com banda de forró, mas o prefeito da
cidade, Júlio Lóssio (PMDB), que deve ser candidato à reeleição,
enfrentando o filho de Bezerra, diz que não foi nem convidado.
Agricultores de uma das regiões que serão beneficiadas contam que
pedem há quase 20 anos a pavimentação de ruas para facilitar o
escoamento da produção de frutas, mas jamais haviam conseguido atenção
do governo.
“Isso foi prometido muitas vezes, há muito tempo, mas nunca
conseguimos nada. Agora que ele (Bezerra) é ministro, vai!”, comemora
Inácio Fulgêncio Cavalcante, presidente da associação de moradores de
Vila Esperança, no projeto irrigado N4.
No núcleo de irrigação, ninguém torce o nariz para os privilégios dados pelo ministro a Petrolina e Pernambuco. “Tem que investir aqui mesmo, que é o Estado de origem dele”, diz Inácio.
Dos R$ 35,7 milhões prometidos pelo ministro a Petrolina, pelo menos
R$ 8,6 milhões serão investidos no projeto Nilo Coelho, batizado em
homenagem ao tio de Bezerra, que foi senador e governador de Pernambuco.







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