Além de se preocupar com os prejuízos
decorrentes das fortes chuvas que atingem estados do Sudeste, o governo
federal terá que acelerar programas estruturantes e definitivos de
combate à estiagem que afeta milhares de nordestinos. É o que defende
parlamentares de estados do Nordeste que devem se reunir a partir de
fevereiro, quando retomam os trabalhos, a fim de analisar providências
para a região.
Só a Bahia precisa com urgência de R$ 30 milhões segundo o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Ele disse à Agência Brasil
que a bancada do seu estado reivindicará ao Ministério da Integração
Nacional a liberação emergencial desse valor para amenizar os prejuízos.
“Estamos muito preocupados porque a cada dia a situação se agrava, há
pessoas que já estão sem água e, fora isso, os agricultores rurais
acumulam perdas”, disse o senador. Pinheiro destacou que estima-se que
300 mil agricultores familiares da Bahia estejam em dificuldade.
João Vicente Claudino (PTB-PI) compartilha da iniciativa do colega
baiano e defende que o governo federal seja proativo em medidas
estruturantes para resolver o problema que, para ele, é “secular”. O
Piauí, por exemplo, necessita de providências de perenização dos rios e
construção de barragens. Isso, segundo o senador petebista, garantiria
aos sertanejos do Semiárido melhor condição de vida e acesso fácil à
água.
Ele elogiou a iniciativa do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva de construção de cisternas para amenizar os efeitos dos longos
períodos de estiagem, mas ponderou que apenas isso não solucionou a
questão. “Esse programa foi paliativo e não resolve. Além da falta de
medidas definitivas, temos que acabar com a cultura dos carros-pipa”,
ressaltou Claudino, referindo-se ao abastecimento de residências por
caminhões.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), destacou que o Executivo
já tem programas estruturantes bem encaminhados como o de transposição
do Rio São Francisco. No entanto, ressalvou que existem problemas a
serem contornados para acelerar as obras, como em licitações que estão
paradas, além de pendências ambientais.
Costa disse que, no caso de Pernambuco, outra questão que tem
paralisado o andamento do projeto é o aumento da especulação de preços
em terras por onde passarão as adutoras e a identificação, em alguns
casos, do legítimo proprietário da terra.
O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) é outro nordestino que defende
medidas “sustentáveis” para os estados da região. O parlamentar, que
compartilha com a iniciativa de Walter Pereira, disse que a iniciativa
cabe ao governo federal e as chuvas e estiagens recorrentes nas
diferentes regiões requerem medidas efetivas. Para ele, não adianta o
Executivo, todo ano, “repassar dinheiro quando o problema já aconteceu”.







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