Ato com Luciana Santos reúne 500 militantes em defesa do país

Um grande ato com cerca de 500 pessoas de todo o estado marcou nesta sexta-feira (22) o encerramento do processo de debates do PCdoB do Rio Grande do Sul em torno das teses da 10ª Conferência Nacional do Partido. O ponto alto do evento, realizado num hotel no centro de Porto Alegre, foi a participação da próxima presidenta nacional do PCdoB, a deputada federal Luciana Santos (PE).

Luciana deverá assumir o comando do partido após ser referendada na etapa final da conferência nos dias 29, 30 e 31, em São Paulo. O ato contou ainda com a abertura do duo Batuque de Cordas.

A deputada iniciou sua intervenção abordando o sangue guerreiro do povo do Rio Grande. Em seguida, tratou dos principais pontos do documento-base da conferência, que propõe a formação de uma frente ampla de partidos e forças sociais comprometidas com a defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia.

“O Brasil conseguiu, nos últimos anos, fazer frente à crise mundial porque tinha um colchão sólido de apoio advindo das medidas anti-crise, do estímulo à economia interna e dos grandes investimentos feitos em nível federal”, ressaltou Luciana. Hoje, não apenas o Brasil mas outros países em desenvolvimento, tais como os gigantes China e Rússia, também sentem os reflexos da crise e reduziram seu ritmo de crescimento. “O Brasil é duramente atingido pela redução drástica do preço das commodities que exporta, tais como minério de ferro e soja”, aponta a tese do PCdoB, afirmou Luciana.

No campo da política internacional, Luciana lembrou que o imperialismo segue sua política de contenção e agressão a qualquer país que contrarie seus interesses, o que está diretamente ligado ao cenário vivido no âmbito nacional, marcado por forte ofensiva de setores conservadores e ligados ao rentismo.

Política nacional

Ao analisar o quadro político interno, Luciana Santos recordou as eleições de 2014, quando emergiu uma polarização ainda mais forte e explícita do que a que já vinha ocorrendo desde 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República. “Tivemos de enfrentar todo tipo de preconceito, especialmente o de classe, e o discurso do ódio e da intolerância contra setores de esquerda e populares, vindo de uma gente que sequer sabe o que é passar fome. Ganhamos as eleições, mas estamos num momento de defensiva política, enquanto esses setores atrasados estão em forte ofensiva”, destacou. “Vivemos um momento de demonização da política”, lamentou.

Neste sentido, colocou, o objetivo central destes setores é desgastar o governo Dilma Rousseff ao ponto de barrar a continuidade do ciclo em curso desde 2003 e inviabilizar qualquer projeto de governo à esquerda. “A ação da mídia monopolizada tem sido fundamental neste processo”, disse. A Operação Lava Jato, por exemplo, tem sido usada para desgastar o governo federal fazendo parecer que os problemas de corrupção na Petrobras teriam começado a partir do governo Lula. “Mesmo neste ambiente, essas mesmas forças conservadoras trabalham pela continuidade do financiamento empresarial de campanha. Nós, comunistas, somos terminantemente contra a corrupção e temos defendido uma reforma política que faça frente à crise institucional e enfrente o problema. Por isso, temos defendido o fim deste tipo de financiamento”, explicou Luciana.

Além disso, Luciana também abordou a necessidade de o governo fazer ajustes para enfrentar seus problemas financeiros. “Defendemos que isso não pode ser feito em prejuízo aos trabalhadores. É preciso taxar as grandes fortunas, preservando aqueles que menos têm. Esta medida, por si só, já suplantaria a MP 665, rendendo cerca de 14 bilhões ao país”. Luciana destacou como positiva a Medida Provisória 675, publicada no Diário Oficial desta sexta, 22, estabelecendo a elevação da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras de 15% para 20%.

Contra-ofensiva

Para responder ao atual cenário de forte ofensiva no campo político e de retração na esfera econômica, Luciana enfatizou alguns dos pontos defendidos pelo PCdoB em seu documento-base. “A defesa da democracia e, neste sentido, do mandato legitimamente conquistado pela presidenta Dilma, é um dos pilares da nossa contra-ofensiva. Nós, comunistas, sabemos bem o que significa viver num país sem democracia porque enfrentamos isso na ditadura militar e muitos de nós perderam suas vidas”.

Outro ponto é a defesa da Petrobras. “Esses setores conservadores que atacam a empresa nutrem desejos inconfessos de privatiza-la”. Luciana elogiou a postura da presidenta Dilma Rousseff que tem defendido o modelo de partilha e a garantia do conteúdo nacional na área petrolífera. “E devemos aqui recordar o papel fundamental que teve o nosso companheiro Haroldo Lima, ex-presidente da ANP, na defesa de um modelo que beneficia o nosso país”, ressaltou.

Por fim, Luciana destacou o papel do atual presidente do PCdoB, Renato Rabelo, que sucedeu João Amazonas. “Renato é, para nós, como o Lula é para o Brasil”, brincou. “Renato tem conduzido o partido com muita firmeza e será sempre nosso esteio. Ele deu uma inestimável contribuição para que nosso partido cumpra seu papel histórico que é superar o capitalismo”.

Lideranças gaúchas

Ao longo do ato, Luciana foi saudada por lideranças políticas e sociais do Rio Grande do Sul. Guiomar Vidor, presidente da CTB-RS, e Assis Melo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul, destacaram a luta dos trabalhadores neste processo, especialmente na luta contra medidas como o projeto das terceirizações, que retiram direitos e prejudicam os trabalhadores, e conclamaram a participação de todos na paralisação do dia 29.

Representando o PT, o deputado estadual Adão Villaverde disse que “o PCdoB, ao longo de sua história e hoje, sempre se posicionou ao lado de quem mais precisa”. O deputado estadual Juliano Roso, do PCdoB, enfatizou: “estão querendo fazer uma reforma política que prejudica partidos como o PCdoB. Precisamos nos fortalecer cada vez mais para enfrentar esta questão e, ao mesmo tempo, enfrentar a atual ofensiva conservadora”. O deputado federal João Derly completou: “há 93 anos, nosso partido, nossa militância, lutam por nosso país e a proposta de uma reforma política conservadora vai contra nosso partido e contra a democracia”.

A deputada estadual Manuela d’Ávila lembrou que Luciana, uma mulher jovem, nordestina, “tem a cara de nosso povo” e representa muito do que foram esses últimos 12 anos de políticas públicas inclusivas, de combate à desigualdade e de desenvolvimento, especialmente de regiões mais carentes, como o Nordeste. Manuela também enfatizou a importância de a militância se envolver com a atual luta contra a ofensiva da direita. “De nada adianta termos um documento justo, acertado como este da 10ª Conferência se não tivermos a militância lutando cotidianamente”. Manuela também anunciou que está se licenciando da presidência estadual do partido, em função da sua gravidez. O cargo volta a ser assumido por Adalberto Frasson.

A mesa do ato foi composta por representantes do partido e dos movimentos sociais: Tiago Morbach, da UJS; Cris Correa, da UBM; Silvana Conti, diretora-geral do Sindicado dos Municipários de Porto Alegre; Abigail Pereira, da direção estadual do PCdoB; Assis Melo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul; Adão Villaverde, deputado estadual do PT; João Derly, deputado federal; os deputados estaduais do PCdoB, Manuela D’Àvila e Juliano Roso; o presidente municipal do PCdoB, Adalberto Frasson; o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor; a vereadora Jussara Cony; o presidente da FMG-RS, Raul Carrion; a presidente da Codene (Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra), Elis Regina e Bruna Rodrigues, da Uampa (União das Associações de Moradia de Porto Alegre).

Homenagens

Luciana foi homenageada no ato pela vereadora Jussara Cony, que declamou o poema Índia Missioneira, dedicado, conforme explicou a vereadora, “às mulheres de todas as tribos que, lado a lado com os seus homens, tecem uma nova sociedade de iguais, solidária, socialista, honrando a história de nossos ancestrais”. O poema, de sua autoria, foi premiado no projeto Sete Povos das Missões em 2006, quando foram lembrados os 250 anos do massacre dos povos missioneiros. Raul Carrion, presidente da seção gaúcha da Fundação Maurício Grabois, presenteou Luciana, em nome do PCdoB, com brincos e colar de ametista, pedra símbolo do Rio Grande. A UJS Feminista também homenageou Luciana e resgatou o papel das mulheres comunistas ao longo da história.

De Porto Alegre,
Priscila Lobregatte

Comentários