TERCEIRIZAÇÃO: o desastre que a mídia esconde

A esmagadora maioria da população brasileira é composta por proletários. Esta maioria está para sofrer uma derrota dramática, que afetará para pior sua qualidade de vida: a provável aprovação do projeto de lei 4330, que permite que todo trabalhador possa ser terceirizado. Este é o nosso tema principal nesta quarta-feira (8). Mas a coluna também traz uma contribuição exclusiva da socióloga Ana Prestes, comentando um artigo sobre a Rússia publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Como nossa mídia hegemônica tem lado, o lado dos poderosos, a população é mantida completamente alienada sobre o impacto desastroso deste criminoso projeto que libera a terceirização e que só busca um objetivo: fazer o grande capital aumentar seus lucros com uma exploração ainda mais cruel e intensa dos trabalhadores.

Terceirização: o preço do mamão-papaia

Se você comprar um mamão-papaia das mãos do agricultor que plantou o mamão-papaia, ele custará, digamos, R$ 1,00. Se você comprar o mesmo mamão-papaia em uma banca de frutas ele custará R$ 1,00 e mais o que o intermediário vai ganhar, tornando o mamão-papaia mais caro. Esta lógica funciona para qualquer mercadoria que use um intermediário para chegar ao consumidor final. O proletário - seja ele mecânico, bancário ou professor – só tem uma “mercadoria” para negociar: sua força de trabalho. Esta mercadoria tem o seu preço (expresso no salário) negociado, sempre em condições desfavoráveis para o trabalhador, com o patrão, que neste caso é o consumidor final. No entanto, quando o intermediário entra em cena (empresa de terceirização) o preço de mercado da “força de trabalho”, ao invés de aumentar, diminui para o consumidor final (o patrão)! E por que a “força de trabalho” é a única mercadoria cujo preço de mercado diminuí com a entrada de um intermediário? É simples: a terceirização (o intermediário entre o trabalhador e o patrão) não passa de um estratagema usado para driblar os direitos trabalhistas e assim aviltar o preço da própria mercadoria. O trabalhador perde duas vezes: ao ver sua “mercadoria” (força de trabalho) diminuída para o consumidor final (o patrão) e ainda ao arcar com o pagamento do intermediário (empresa de terceirização). Ou seja, o salário é menor e uma parte ainda é consumida, de forma disfarçada, pelo proprietário da empresa de terceirização.

Terceirização: baixos salários, rotatividade e trabalho precário

O criminoso projeto, não por acaso apoiado por notórios bandoleiros, criará em médio prazo um cenário tenebroso: escolas com todos os professores terceirizados, hospitais com todos os médicos e enfermeiros terceirizados, lojas com todos os vendedores e funcionários terceirizados, enfim, empresas sem empregados. Exagero? Mesmo com as restrições atuais – que proíbe a terceirização para atividades fins - em 2010, segundo pesquisa do economista Marcio Pochmann, para cada grupo de seis empresas já havia um estabelecimento sem empregado formal. Além de ganhar menos, o funcionário terceirizado é facilmente descartável. Destacava Pochmann, na pesquisa já citada, “que a taxa de rotatividade da mão de obra terceirizada no estado de São Paulo foi (em 2010) de 63,6%”. Segundo este estudo quase 100% do corpo funcional de uma empresa terceirizada é trocado no prazo de apenas dois anos. Além disso, pesquisa feita pelo Dieese mostra que oito em cada dez acidentes de trabalho ocorrem em empresas utilizadoras de mão de obra terceirizada que também são responsáveis por quatro em cada cinco mortes por acidente de trabalho.

Terceirização: o fim da CLT e a fragilização dos sindicatos

A tendência será o fim da CLT e a precarização dos direitos trabalhistas. Qual o empresário que contratará funcionários com carteira assinada se pode terceirizar e pagar menos? Haverá também um nítido esvaziamento das entidades sindicais, pois pelo nefando projeto de lei, os funcionários não serão filiados necessariamente aos sindicatos de suas categorias profissionais. Assim, se uma montadora de automóvel contratar todo um setor de montagem terceirizado, estes trabalhadores podem não ser filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos, mas sim ao Sindicato que representa os funcionários da empresa de terceirização. De qualquer maneira a fábrica (ou o banco, ou a escola) que contratar funcionários terceirizados não terá de lidar com trabalhadores sindicalizados, já que eles serão sindicalizados pela empresa de terceirização. Isso é o sonho de todo patrão e uma porta aberta para que ocorram abusos na relação trabalhista sem reação organizada e luta por direitos.

Terceirização: fim dos concursos públicos e a falsa vantagem


Como o poder público também poderá contratar funcionários terceirizados o democrático meio de acesso por concurso público estará perto do fim. Qual a contrapartida para tantos prejuízos aos trabalhadores? Nenhum. Pois é uma falácia argumentar que a terceirização vai gerar mais empregos. Na verdade o que acontecerá vai ser a demissão em massa de empregados com carteira assinada para a contratação de terceirizados. O pior dos mundos para os trabalhadores e o melhor dos mundos para os bancos e grandes empresários. Acaso a Câmara de Deputados aprove este absurdo na noite desta quarta-feira (8) a batalha nem por isso estará perdida. Ainda teremos a discussão no senado e a possibilidade do próprio veto da presidenta Dilma. Para reverter uma possível decisão da Câmara favorável ao projeto, é necessário despertar o povo para a cruel realidade que ele acarretará, o que será também uma oportunidade de deixar claro de que lado está e que interesses defendem Eduardo Cunha, mídia hegemônica (Globo à frente), PSDB, DEM e outros arautos da moralidade que não fazem outra coisa que não seja noite e dia pensar em como extorquir o povo.

Vivien Lando: "Quando estreitos argumentos não definem largas culturas"

No dia 19 de março, o jornal Folha de S. Paulo publicou um artigo especial de Vivien Lando, onde a articulista joga água no moinho da campanha contra a Rússia promovida pela mídia hegemônica em sua tradicional subserviência aos ditames de Washington. Mas convenhamos que a moça exagerou. Talvez nem os editores pró Otan da Folha esperassem tal grau de adjetivação rasteira e generalização superficial. A socióloga Ana Prestes fez, a pedido do Notas Vermelhas, um texto onde comenta, com lucidez e argúcia, o artigo publicado pela Folha.

Desafortunada insensatez. Quando estreitos argumentos não definem largas culturas

Por Ana Prestes
Segundo um dos maiores escritores russos, Fiodor Dostoievski, “não há ideia nem fato que não possam ser vulgarizados e apresentados a uma luz ridícula”. A reflexão se encaixa perfeitamente ao pequeno artigo de opinião da escritora Vivien Lando, “Dos czares a Stalin e Putin, o poder ditatorial é hereditário”, publicado na Folha de São Paulo no último dia 19 de março, em que a interpretação sobre o recente assassinato de um dos opositores de Putin é utilizada para atribuir ao povo russo uma aquiescência com a suposta crueldade e a impunidade de seus líderes.

Incrível como tão poucas linhas abarcam tantos insultos. Recorrendo a associações comportamentais questionáveis entre o Czar Ivan “O Terrível”, Stalin e Putin, a autora logo se apressa em julgar os russos como detentores de uma “hereditariedade ditatorial”, desprovidos de “razão” e “sensatez”, além de serem “infantis” e “permissivos”. A autora chega a dizer que a busca da razoabilidade não caberia para interpretar os russos, pois “a razão, a sensatez, o comum pouco valem no complexo magma da alma russa”. E aqui, ao reconhecer o “complexo magma da alma russa”, ela se contradiz no próprio argumento.

Se nem mesmo as mais de mil páginas de um dos mais notáveis romances já escritos na história da humanidade, Guerra e Paz, pelo escritor russo Leon Tolstoi, foram capazes de dar conta de todas as complexas características do povo russo, o que dizer de um pequeno punhado de linhas tão vorazes em sacar rápidas conclusões sobre a alma e os caminhos de um povo alheio? O povo russo é tão rico em características e feições quanto é profusa sua cultura. Sua coragem, resiliência e determinação ao longo de sua história, produziram uma das mais ricas e cultas sociedades humanas na face da terra. Tudo parece ser grandioso na grande Rússia e é fácil exagerar as interpretações neste cenário.

Nos incomensuráveis feitos de Catarina "a Grande", no épico incêndio de Moscou, como inacreditável antessala da vitória sobre Napoleão, ou na vitória das tropas soviéticas sobre o Nazismo, a força moral, a resolutividade e a unidade patriótica se destacam no tecido social deste povo único. Aqueles que pretendiam, ou ainda pretendem, desqualificar seus feitos, buscam caricaturar seus líderes como cruéis e sanguinolentos e seu povo como passivo e leniente. Mas como profecia o ditado russo "Bol´shomu korablyu - bol´shoye plavaniye" - "grandes viagens para grandes navios", para navegar águas profundas é preciso navios de grande porte.
Diário do Povo: Expectativa de vida em Pequim chega a 81,81 anos

O jornal Diário do Povo, versão online em português, noticia nesta quarta-feira (8) que a expectativa de vida dos habitantes de Pequim chegou a 81,81 anos em 2014, realizando com um ano de antecedência a meta do 12º Plano Quinquenal. No Brasil a expectativa de vida é de 74,9 anos. Nos EUA, 78,74 anos. Na própria China como um todo é de 75,20 anos. Em Cuba a expectativa de vida atinge 79,03 anos.

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